Vending machines movimentam R$ 1 bi

Matéria originalmente publicada na versão online do jornal Valor Econômico, em agosto de 2015.

O mercado de vending machines e office coffee service, máquinas de vendas automáticas ou de autosserviço, já movimenta R$ 1 bilhão no país, segundo a Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA). Mas, depois de crescer 15% em 2014 sobre o ano anterior, os negócios deram uma recuada. O faturamento deverá ficar estável este ano, segundo previsão da ABVA.

A escalada do dólar impacta negativamente os investimentos, uma vez que as máquinas são importadas. Contudo, a dificuldade maior está do lado da demanda. A crise tem afetado parcela dos negócios do setor com o mercado corporativo, responsável por 80% das receitas. Este ano, as empresas registram um índice maior de devoluções de máquinas de café, por causa do aumento das demissões em escritórios e indústrias ou o corte do benefício.

Desta forma, os fabricantes e revendedores de máquinas, operadores e fornecedores de insumos recorrem a alternativas para desenvolver os negócios. “Algumas das saídas encontradas são a busca de novos mercados, a redução de custos operacionais e as renegociações com fornecedores”, destaca Pedro Zanella, presidente da ABVA.

O setor ainda é incipiente no país. Calcula­se que existam 70 mil máquinas em operação, sendo 65% de bebidas quentes ­ café, cappuccino e chocolate. Isso representa cerca de 2,8 mil habitantes por máquina. Nos Estados Unidos, a relação é de 50 pessoas por equipamento, na Itália, 85 e na Espanha, 70. No Japão, são 35 habitantes por máquina. ” O potencial do mercado brasileiro é enorme. Certamente, o setor deverá voltar a crescer bastante nos próximos anos. Os empresários são muito criativos”, diz Zanella.

Ele ressalta que, no país, a cada 13 vending machines, um emprego direto é gerado devido aos bastidores dos serviços de manutenção e abastecimento.

A N&W, fabricante de máquinas italianas, tem uma representação no Brasil há 15 anos. No ano passado, as vendas avançaram 50% sobre 2013. “Este ano, o desempenho será abaixo disso, mas ainda crescendo”, afirma Davide Mapelli, diretor da N&W.

Segundo ele, nos últimos dois anos, a diversificação de meios de pagamentos impulsionou os negócios. Há possibilidade de comprar nas máquinas com moedas, cédulas, cartões de débito e de crédito ou vale refeição. Já existem até aplicativos para smartphones que permitem a efetivação das compras.

Fora do Estado de São Paulo, as vendas nas máquinas são mais vigorosas. “Mais de 60% das nossas receitas vêm do Rio de Janeiro e das regiões Nordeste e Sul”, enfatiza Mapelli.

A N&W comercializa máquinas para os mais diversos tipos de produtos, não somente os tradicionais snacks e café. “Customizamos as máquinas para itens variados. Já fizemos para alimentos orgânicos e buquês de flores, por exemplo”, comenta. Os preços variam de R$ 600, no caso de uma máquina de café de cápsulas, até R$ 32 mil, equipamentos sofisticados que agregam tecnologia digital ­ display de imagens, áudio e sistemas de business intelligence.

A telemetria permite controlar a máquina a distância ­ ligar, desligar, alterar a temperatura etc. “O monitoramento remoto e o acesso às informações sobre as vendas e os horários de maior movimento permitem planejar o abastecimento”, explica.

A Cashless, que representa a Nayax no Brasil, companhia israelense especializada em sistemas de pagamento e gestão por telemetria, opera há cinco anos, de olho no mercado promissor. O uso dessas tecnologias de ponta aumentou nos últimos anos. “Com isso há aumento de 35% a 75% na rentabilidade das máquinas”, diz Fábio Bueno Netto, proprietário da empresa.

Ele destaca que a evolução dos meios de pagamento tem favorecido a inovação. “Dentro das máquinas há artigos de até R$ 200, como chinelos, cosméticos, baterias e capas de celular”, informa o empresário.

Netto também é dono da 24×7, empresa que vende livros a preços baixos nas máquinas automáticas. No total, são 27 máquinas, sendo 26 em estações do Metrô na cidade de São Paulo e uma na estação Carioca, no centro do Rio de Janeiro. “Hoje, vendemos cerca de 60 mil livros por mês. Há alguns anos, chegamos a vender 100 mil por mês, mas agora enfrentamos a concorrência.”

Entre os mais vendidos, obras de grandes pensadores como Nietzsche, Maquiavel e Diderot junto com títulos de informática e de oratória. A média de preços dos livros é de R$ 2,04 em algumas das máquinas que têm o esquema “pague quanto vale”, que dá liberdade aos consumidores em relação aos valores para aquisição. A 24×7 planeja instalar máquinas em outros locais como hospitais e universidades. A marca também está retomando seu projeto de franquias.

No segmento de máquinas de café e outras bebidas quentes, a Amiste Café tem quatro lojas próprias situadas em Londrina (PR), Maringá (PR), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG), além de uma franquia em Curitiba (PR). “De janeiro a julho, faturamos R$ 4,4 milhões, 10% acima da meta estabelecida para o ano”, afirma Eduardo Vicente, diretor de expansão da Amiste Café.

Em 2014, empresa faturou R$ 3,4 milhões. A margem do negócio é de 25%. O desempenho positivo é atribuído à conquista de oportunidades fora do eixo São Paulo­-Rio de Janeiro, assim como, à gestão eficiente. “Nosso plano de expansão contemplará cidades médias, com mais de 200 mil habitantes”, ressalta. Os principais clientes são restaurantes, hospitais, laboratórios, escolas de idiomas e universidades, postos de gasolina e buffets.

Há 13 anos no mercado, a BR Vending, que tem sede no município de São Paulo e uma pequena filial em São José do Rio Preto, tem sentido a crise. A operadora de máquinas automáticas de bebidas quentes e frias e snacks teve queda no faturamento de 30% no primeiro semestre.

Na carteira de clientes, o meio corporativo tem grande peso e houve muitos cortes da oferta de café aos funcionários. O clima este ano foi um agravante, pois desestimulou o consumo de bebidas quentes. “Para reverter essa situação, intensificamos a prospecção, estamos com equipes nas ruas. Nosso objetivo é fechar novos contratos até outubro”, diz Fernanda Silva Peres, sócia da BR Vending.